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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sobre o tom de voz da filosofia



trecho de "anotação" em diálogo com o livro de Stanley Cavell Um tom de filosofia: exercícios autobiográficos:





Existe certa arrogância no tom de voz do filósofo; uma arrogância que se liga a pretensão de que aquilo que ele diz possui necessidade e validade universal. Como descreve Stanley Cavell, “a arrogância da filosofia se relaciona com sua ambivalência a respeito do autobiográfico”.
(Um exemplo desta ambivalência pode ser dramatizado nos ‘eventos’ filosóficos, em que, a principio, o autor da conferência ou comunicação, começa pronunciando algumas palavras diretamente para o público. De vez em quando, até mesmo, olhando para as pessoas a sua volta. Na maioria dos casos, o tom desta fala é autobiográfico, explicando o que levou a escolha do tópico que pesquisa. Em verdade, este ‘prelúdio’ muitas vezes se torna um balbucio sem grande coerência, já que, segundo o próprio “comunicador”, o que há de interessante e coerente para se disser se encontra no texto: então vamos à leitura! Abaixando a cabeça e começando esta tarefa recitativa, a voz do filósofo dá um “salto transcendental” e sua dicção ganha o tom de quem arroga dizer algo que tem por pressuposto a pretensão de universalidade. Ora, neste caso, somos instruídos a não utilizar a “primeira pessoa do singular”, mas, sim, a “primeira pessoa do plural”, somos “nós”. Esta escolha, ou melhor, esta necessidade de deslocamento supõe um tipo de “acordo metafísico” entre o “falante” e a “plateia”? Ou seria um indicativo da posição hamletiana do intelectual moderno, que ouve sua própria voz como “outro” e tenta se criar a partir deste diálogo, ou melhor, desta escrita? Esta segunda explicação ajuda a entender porque algumas leituras são intercaladas com falas, que, ou tentam explicar oferecendo algum exemplo em relação ao que foi escrito, ou mostra a empolgação do “leitor” com o que disse o “autor” e sua relevância, ou retomam o tom autobiográfico para pedir desculpas por alguma discordância, dificuldade ou reticência em relação ao que esta escrito; o que serve como confissão de que a voz ainda não atingiu o tom do que deve ser universalmente aceito, ou seja, não é ainda o da Filosofia).
É certo que os filósofos que negam a importância da dimensão autobiográfica encontram outro caminho para fundar a autoridade de sua voz, pelo a priori ou pela aplicação de um método ou pela lógica etc., justificam a necessidade e universalidade, assim como, a autoridade, densidade, profundidade, pressupostas na fala filosófica.
(Outra via, contextualmente mais utilizada, é pegar palavras emprestadas de uma – ou de algumas – autoridade autorizada estrangeira, ou quando muito, de um brasileiro – geralmente o orientador ou o orientador do orientador – que concorda com o que o estrangeiro disse, deixando a própria voz como um eco, um tipo de rima condenada por Platão por sua teatralidade, pela imitatividade, a aceitação inconteste de um simulacro. Mas, depois de Platão e de tantas palavras, haveria outra forma de falar que não a aceitação e multiplicação de ecos como rimas prosaicas e redundantes? Talvez, mas neste caso corre-se o risco de transformar o discurso crítico em discurso clínico. Quem quer, ou melhor, quem pode correr este risco (na Academia)? O contrário da arrogância da filosofia seria a cordialidade da desconversação, de uma fala sem rosto que condena como idiossincrática toda tentativa de ter voz?).

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O anseio e a deserção dos pastos da Filosofia

Acabei agora a leitura de Lavoura Arcaica de Raduan Nassar. Enfim! Continua para mim a curiosidade sobre a passagem de Raduan pela filosofia e sobre o seu irmão Raja Nassar, que também frequentava a filosofia e me parece que chegou a ser professor na USP. (Na verdade, segundo informação da Wikepédia, Raduan foi o sexto dos irmãos a frequentar o curso de Filosofia. Que anseio metafísico impulssionava esta busca familiar? Haveria alguma resposta?). Se muito se fala da desistência de Raduan da literatura é estranho que não se tente ao menos colocar em questão sua desistência da filosofia.  O texto da Wikepédia diz:

Concluído o curso de Filosofia, em 1963, no ano seguinte viaja para Lüneburg, interior da Alemanha Ocidental, a fim de estudar alemão. Através de cartas de amigos e de familiares, toma conhecimento do golpe militar de 31 de março. Comunica ao Departamento de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP sua decisão de não assumir a assistência da cadeira de Psicologia Educacional no campus de São José do Rio Preto daquela instituição. Ao mesmo tempo, abandona o curso de alemão e decide voltar para o Brasil. Antes disso vai ao Líbano e conhece a aldeia de seus pais.

Não seria um exagero pensar que toda resposta possível para essas questões estão já impressas em Um copo de cólera, mas, ainda assim... Vou ainda escrever algo sobre isso, ao menos para dar mais textura a este silêncio, maculá-lo.
Penso ler agora Menina a caminho, e deixo aqui um Livroclip que apresenta a trajetória de Raduan e apresenta Menina a caminho.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

"Matemos os pobres!" um dos Pequenos poemas em prosa de Baudelaire

MATEMOS OS POBRES!
Charles Baudelaire (de seus Pequenos poemas em prosa)

Fazia quinze dias que eu estava exilado no meu quarto, cercado de livros em voga na época, isto é, há dezesseis ou dezessete anos atrás. Refiro-me aos livros que tratam da arte de tornar os povos felizes, sábios e ricos, em vinte e quatro horas. Eu digerira, ou melhor, engolira todas as elucubrações de todos esses empresários da felicidade pública, que aconselham os pobres a se tornarem escravos, e de todos os que procuram convencê-los de que são reis destronados. Não será de admirar que eu estivesse, então, num estado de espírito que se aproximava da vertigem ou da estupidez.
Confinado no fundo do meu intelecto, apenas sentia o gérmen obscuro de uma ideia superior a todas as fórmulas de boa mulher, cujo dicionário eu acabara de percorrer. Mas, era simplesmente a ideia de uma ideia, alguma coisa de infinitamente vago.
Afinal, saí com uma grande sede. O gosto apaixonado das más leituras engendra uma necessidade proporcional do ar livre e dos refrescos.
Ao entrar num bar, um mendigo estendeu-me o chapéu, lançando-me um desses olhares inesquecíveis que seriam capazes de derrubar os tronos, se o espírito pudesse abalar a matéria e se os olhos de um magnetizador lograssem amadurecer as uvas.
Ao mesmo tempo, ouvi uma voz cochichar ao meu ouvido, uma voz que reconheci bem: era a voz de um Anjo bom, ou de um bom Demônio, que me acompanha por toda parte. Se Sócrates (1) tinha o seu bom Demônio, porque não teria eu o meu Anjo bom, e porque não teria a honra, como Sócrates, de obter o meu título de loucura, assinado pelo sutil Lelut (2) e pelo circunspecto Baillarger (3)?
Entre o Demônio de Sócrates e o meu, existe uma diferença: é que o de Sócrates só se manifestava para evitar, impedir, avisar, ao passo que o meu se digna aconselhar, sugerir, persuadir. O pobre Sócrates tinha apenas um demônio proibidor, e o meu é um grande afirmador, um Demônio de ação, ou de combate.
Mas, aquela voz murmurava-me o seguinte: 
- Só é igual de outrem quem o prova, e só é digno de liberdade quem sabe conquistá-la.
Imediatamente, saltei sobre o mendigo. Com um único soco, tapei-lhe um olho, que ficou, num segundo, grande como uma bola. Parti uma unha quebrando-lhe os dentes e, como não me sentisse bastante forte, por ter nascido franzino e ser pouco exercitado no box, para liquidar rapidamente o velhote, peguei-o com uma das mãos pela gola do casaco e, com a outra, apertei-lhe a garganta e pus-me a sacudir vigorosamente a cabeça contra um muro. Devo confessar que tomara a preocupação de inspecionar os arredores com um
rápido olhar e que verificara que, naquele arrabalde deserto, estaria muito tempo fora do alcance de algum agente de polícia.
Depois, com um pontapé nas costas, bastante violento para quebrar-lhe as omoplatas, joguei por terra o enfraquecido sexagenário e, empunhando um grosso galho de árvore que estava no chão, bati-lhe com a energia dos cozinheiros, quando querem amolecer um bife.
De repente, - oh milagre! Oh satisfação do filósofo que verifica a excelência de sua teoria! - vi aquela velha carcaça voltar-se, endireitar-se com uma energia que eu jamais teria suspeitado numa máquina tão singularmente desarranjada. E, com um olhar de ódio que me pareceu de bom augúrio, o decrépito vagabundo atirou-se sobre mim, contundiu-me os dois olhos, quebrou-me quatro dentes e, com o mesmo galho de árvore, me bateu até mais não poder. Com minha enérgica medicação, eu lhe dera o orgulho e a vida.
Esforcei-me, então, por lhe fazer compreender que considerava a discussão acabada e, levantando-me com a satisfação de um sofista do Pórtico (4), disse-lhe o seguinte:
- Cavalheiro, o sr. é meu igual! Queira dar-me a honra de partilhar comigo a minha bolsa. E, se é realmente filantropo, lembre-se de que é preciso aplicar a todos os seus confrades, quando lhe pedirem uma esmola, a teoria que eu tive o pesar de pôr à prova em suas costas.
Ele jurou que tinha compreendido minha teoria e que obedeceria ao meu conselho.

(1) Ilustre filósofo grego, cuja doutrina foi exposta por Platão.
(2) LELUT (1804-1877), famoso psiquiatra, autor da obra Do Demônio de Sócrates.
(3) BAILLARGER (1806-1891), célebre alienista, autor de um Ensaio de Classificação dos
Doentes Mentais.
(4) Seita filosófica dos estóicos, cujo chefe, Zenão, ensinava debaixo de um pórtico de Atenas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A filosofia do Futebol de Manuel Sérgio (e José Mourinho)


Sérgio, Manuel. Filosofia do Futebol. Primebooks:, Lisboa, 2009. pp.143.

O técnico português José Mourinho tem Manuel Sérgio como Mestre (Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Mourinho_Madrid.jpg)

 
A palavra filosofia volta e meia aparece na cronica esportiva. Geralmente isso acontece quando um time troca de técnico e o novo “professor” promete implementar uma nova “filosofia de jogo”, "filosofia de trabalho", “filosofia táctica” etc. O livro de Manuel Sérgio Filosofia do Futebol promete dar um sentido mais claro para tantos usos da palavra filosofia nestes contextos. A justificativa de tal promessa estaria no fato de que o português José Mourinho, hoje treinador do Real Madrid e campeão nos diversos clubes por onde passou, teria se inspirado na lições de filosofia de Manuel Sérgio, a quem toma com um mestre. A curiosidade para entender como se daria essa “inspiração” e quais seriam as lições do autor português, me fizeram encomendar o livro.
Apesar de uma bonita capa a edição é extremamente descuidada. Falta revisão (o uso excessivo de negrito é injustificado e desagradável, as referências bibliográficas são colocadas de forma  incomoda, no decorrer do texto, por vezes,com troca de nomes - como o jogador "Daniel Messi", a filósofa "Madalena Chauí"; erros de digitação e diagramação etc.). Resumindo minhas ressalvas: a impressão é de que o livro surgiu de uma apostila cheia de apontamentos sem revisão, aonde, na maioria das vezes, a conexão entre reflexões epistemológicas e o futebol não é de forma nenhuma evidente (ou existente!). A parte a tentativa de validar suas reflexões a partir da "visão privilegiada" autorizada pela perspectiva (mística) da complexidade de Edgar Morin, podemos encontrar em Manuel Sérgio alguns motes interessantes para reflexão. 
Manuel Sérgio se apresenta como fundador de uma ciência, a Ciência da Motricidade Humana (CMH). Não deixo de ter alguma desconfiança quando alguém com formação filosófica funda uma ciência , assim como quando funda uma seita, mas nesse caso a afirmação de Manuel Sérgio para mim se traduz na promoção de um questionamento fundamental sobre a educação física e toda a ideia de preparação física. Se isso implica na criação de uma "ciência" não tenho condições de saber (e nisso tenho pouco interesse). Manuel Sérgio vincula todo trabalho de "educação física" a uma pergunta anterior e utópica:" Que tipo de homem quero eu que nasça do treino, ou da competição, que vou dirigir?" (p.47). Neste sentido, a atividade física deve ser pensada como parte de uma formação humana que busca a transcendência, o aprimoramento de cada atléta como ser humano. Neste sentido, "para saber de futebol é preciso saber mais do que futebol", assim podemos trazer para esta atividade um sentido moral e politicamente emancipatório. 
O sentido dessa afirmação iluminista, sobre a necessidade de uma dimensão emancipatória humanística no cultivo dos esportistas pode ser exemplificada por diversos exemplos de atletas com grande potencial mas sem a formação cultural necessária para lidar com as vitórias (e as derrotas) o sucesso, a fama, o fracasso, o esquecimento etc. Manuel Sérgio afirma: "O que são David Bechkam, o Fernando Torres, o David Villa, o Messi, o Kaká, o Franck Ribéry, o Eto'o, o Ibrahimovic, o Cristiano Ronaldo, etc., etc.? Com toda a certeza, novos deuses! Mas não foram eles que nos criaram à sua imagem e semelhança. Fomos nós que os criamos à nossa imagem e semelhança. Nós precisamos de exemplos de transcendência, para tomarmos a consciência de que podemos não ser "objectos" da história, mas "sujeitos" construtores da história" (p.76).
Quando o técnico Mourinho aceitou a saída de Adriano da Inter de Milão sem impor maiores dificuldades, destacou que estava pensando na recuperação do ser humano e que este era o mais importante. Quando Adriano chegou ao Brasil disse que abandonaria o futebol, que não se sentia mais em condições de continuar. Pouco tempo depois acertou contrato com o Flamengo, onde foi artilheiro e campeão. brasileiro . De volta a Roma hoje, em uma entrevista explicou : "Não menti a Moratti [presidente do Inter], não me zanguei com ninguém. Mas não aguentava mais. Mourinho tinha consciência disso. Sentia-me sozinho, sem família, sem motivos para sorrir. Pensei até em deixar de jogar, mas agora estou bem», acrescentou o avançado que reconheceu ter passado por uma depressão mas negou problemas de alcoolismo" (no site português Mais Futebol).
 Porém, por sua dificuldade em seguir as rotinas de treinos e atividades que fazem parte da rotina de um jogador profissional, acabou sendo descartado da lista de Dunga para a Copa de 2010. e agora novamente tem problemas na Roma. É certo que a indisciplina de Adriano e sua falta de compromisso como atleta justificam a escolha de Dunga, mas também é evidente que nenhum outro atacante tinha o mesmo potencial deste que foi chamado de Imperador. Mas, para que treinador da seleção pudesse contar com este jogador seria necessário que ele, Dunga, também tivesse uma formação humana abrangente que o permitisse ajudar na emancipação de Adriano. Isso não significa de forma alguma o atalho moralista de fundamentalismos religiosos que estão "na moda" na fala de diversos treinadores de futebol hoje. Sérgio diria que é necessário que saibam filosofia! Defende ele mesmo a presença de um filósofo na comissão técnica dos times de futebol.  
Pessoalmente sou cético quanto aos "poderes" clínicos da filosofia, mas parece ser evidente que uma formação humanística mais ampla é hoje uma necessidade no esporte. Se nossos símbolos de transcendência hoje são os jogadores, se são eles nossos heróis, então é necessário que estes não sejam meros produtos, corpos sem linguagem. O sentido de nossa arete (virtude, excelência) parece estar aí em jogo também, "queremos uma sociedade de guerreiros espartanos fundamentalistas?", "queremos uma sociedade de adultos que nunca amadurecem?". Como sublinha Manuel Sérgio "A transcendência é a reinvenção da imanência - de todos, em grupo, somos responsáveis. Fazer desporto nada tem a ver com adesão a dogmas, mas com a participação num acto criador". (p.35) 
O ato criador tem sim um sentido de competição, mas o objetivo deve ser algo que engloba a busca de superação do atleta, não no sentido do corpo-limite, mas da arete, que trata da vida da pessoa como um todo. Manuel Sérgio lembra a declaração de Mourinho quando chegou ao Chelsea: "A partir de agora, cada exercício, cada jogo, cada minuto de nossa vida tem de centra-se no objectivo de ser campeão" (p.35). A criação deste sentido comum de trancendência e superação na busca dos melhores resultados seriam tarefa do treinador, assim como, a determinação de táticas e técnicas para alcançar este resultado. Para tanto a repetição de exercícios descontextualizados não tem o menor sentido, para o pensador português, A partir de agora, cada exercício, cada jogo, cada minuto de nossa vida tem de centra-se no objectivo de ser campeão""salvo melhor opinião, no treino, o nadador deve principalmente nadar, o corredor deve principalmente correr, o basquetebolista deve principalmente jogar basquetebol, etc. Não esqueço que, no futebol, também se corre sem bola, mas com sentido que a estratégia e a táctica determinam"(p.75).
Além dos fatores técnicos e táticos, o futebol teria uma dimensão poética onde a capacidade criativa de jogadores geniais se torna indispensável: "Quando se diz que Johan Cruyff é o filósofo do Barcelona, tal significa que a equipa "azulgrana" de Pep Guardiola e de Xavi, Iniesta e Messi se fundamenta nos princípios que permitiriam o "futebol total" holandês da década de setenta, que saudava em Rinus Michels o seu orientador e em Cruyff o intérprete genial" (p.23) Este sentido de "filosofia de jogo", se traduz em uma cultura que parece mesmo influenciar no jeito de cada time sem sentido mesmo básico: basta pensar na diferença das equipes de base do São Paulo, onde na maioria das vezes a questão do porte físico é um pressuposto para seleção; e do Santos, onde o privilégio da técnica fomenta a aposta em biótipos que divergem dos padrões pressupostos. Na visão de Manuel Sérgio a presença do craque gera um elemento indispensável para o sucesso de uma formação tática: "um pensamento táctico, qualquer que ele seja, precisa de um jogador de excepção que verdadeiramente o interprete" (p.23). Neste ponto, penso que no Brasil não valorizamos tanto o jogador tático, que organiza o jogo e interpreta a tática do técnico; preferimos o jogador que desfaz a tática, individualista que valoriza mais a bola nos pés do que o posicionamento dentro de um esquema. 
A capacidade do treinador de gerar entusiasmo, de acender a fagulha que inspira a transcendência, se ligaria ao fomento da vontade, uma fé pragmática (que gera ação) no sentido de auto-aperfeiçoamento. Manuel Sérgio não deixa de citar a transformação do esporte em negócio e os problemas derivados disso; no entanto seu discurso se alimenta de certo romantismo que aponta para outra possibilidade na forma de lidar com este jogo. Uma perspectiva que é sim poética e romântica, mas que tem sua dimensão prática e pragmática: os resultados alcançados por José Mourinho são testemunho disso .