Acabei de ler Freud: pensamento e humanismo (Freud: the mind of the moralist) de Philip Rieff. Ele traz uma leitura romântica de Freud que foi base para que Richard Rorty pudesse recontextualizar a psicanálise com a gnóstica Religião Americana. A chave para isto estaria nesse trecho muito citado: "A concepção romântica do inconsciente pode ter contribuído originalmente para a ideia antidemocrática de génio (Schelling), mas Freud democratizou o génio dando a todas as pessoas um inconsciente criativo" (p.56). A perspectiva terapêutica de Rieff o mote para que Rorty pudesse tentar combinar a descrição romântica de Freud com o melhorismo de Dewey. Harold Bloom seria pouco indulgente com essa possibilidade; questinando a existência de um inconsciente criativo em George Bush e lembrando da dimensão aristocrática da psicanálise.
A questão que emerge a partir do legado de Freud é o que a liberação provocada por sua popularização proporcionou de transformação em nossa própria neurose? Para alguns, como os que fizeram o documentário O século do self, a popularização da psicanálise e da busca de libertar e desenvolver as energias criativas do eu se vincularia ao desenvolvimento do capitalismo e a criação de necessidades por parte da publicidade. Rieff se mantém na perspectiva do indivíduo e não da "psicologia de massa" despersonalizada. Mas segue mantendo a questão sobre a abertura criativa proporcionada pelo legado de Freud e do conflito constante (e irreconcíliável) entre as demandas do individuo e da sociedade.
A questão que emerge a partir do legado de Freud é o que a liberação provocada por sua popularização proporcionou de transformação em nossa própria neurose? Para alguns, como os que fizeram o documentário O século do self, a popularização da psicanálise e da busca de libertar e desenvolver as energias criativas do eu se vincularia ao desenvolvimento do capitalismo e a criação de necessidades por parte da publicidade. Rieff se mantém na perspectiva do indivíduo e não da "psicologia de massa" despersonalizada. Mas segue mantendo a questão sobre a abertura criativa proporcionada pelo legado de Freud e do conflito constante (e irreconcíliável) entre as demandas do individuo e da sociedade.
A parte essas disputas, o livro de Rieff, publicado em 1959, merece ser lido como ainda capaz de iluminar problemas que são cada vez mais urgentes. Acredito que A cultura do narcisismo: a vida americana numa era de esperança em declínio escrito por Christopher Lasch em 1979 seja um bom contraponto a apropriação liberal-burguesa feita por Rorty.
P.S.: Não sei se continuo esse caminho de investigação lendo Lasch ou O triunfo da terapia também de Rieff. Os dois parecem interessantes.

