Há duas madrugadas terminei a leitura de Baudelaire e Freud (DIFEL, Trad. Wilma Freitas Ronald de Carvalho,1979) de Leo Bersani.Não vou escrever sobre este livro porque não domino o jogo da psicanálise, então minha leitura parece que sempre fica inacabada. Faltam pressupostos de pressupostos de pressupostos... O silêncio nesse meu caso deve dizer alguma coisa.
Mas vamos lá. O melhor do livro é o último capítulo onde o autor trata de certo conflito entre o moi créateur (o vagabundo, o ator, o palhaço e o artista participam desta categoria) e o moi social (que incluiria o dândi, o príncipe, o narrador espectador imparcial etc). O motivo da minha leitura também está neste capítulo, num pequeno trecho citado por Richard Rorty em Contingência, Ironia e Solidariedade: "A teoria psicanálitica tornou a noção de fantasia tão profundamente problemática que não deveríamos mais considerar como certa a distinção entre a arte e a vida, ou julgarmos que a palavra "criativa" não tenha o mínimo valor análitico" (p.112). (Este último período - "ou julgarmos..."- foi omitido por Rorty.) Somando esta descrição a desenvolvida por Philiph Rieff do inconciente como a privatização do gênio romântico e estamos com a "base" de uma estética e de uma moral emergente.
Chamou-me muito a atenção um dos Pequenos poemas em prosa de Baudelaire chamado "Matemos os pobres!" que justificaria a aproximação do principe-dândi de Baudelaire de um herói nietzschiano.
Coloco este texto de Baudelaire num outro post.


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